Mardy Bum
Existem coisas piores que estar sozinho, mas geralmente leva décadas para entender isso e quase sempre quando você entende é tarde demais. E não há nada pior que tarde demais.

— (Charles Bukowski)

O meu silêncio carrega um mundo de palavras que eu queria dizer.
Não, meu coração não é maior que o mundo. É muito menor. Nele não cabem nem as minhas dores. Por isso gosto tanto de me contar. Por isso me dispo, por isso me grito, por isso frequento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias: preciso de todos. Sim, meu coração é muito pequeno. Só agora vejo que nele não cabem os homens. Os homens estão cá fora, estão na rua. A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava. Mas também a rua não cabe todos os homens. A rua é menor que o mundo. O mundo é grande… Tu sabes como é grande o mundo. Conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão. Viste as diferentes cores dos homens, as diferentes dores dos homens, sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso num só peito de homem sem que ele estale. Fecha os olhos e esquece. Escuta a água nos vidros, tão calma, não anuncia nada. Entretanto escorre nas mãos, tão calma! Vai inundando tudo… Renascerão as cidades submersas? Os homens submersos – voltarão? Meu coração não sabe. Estúpido, ridículo e frágil é meu coração. Só agora descubro como é triste ignorar certas coisas (na solidão de indivíduo desaprendi a linguagem com que homens se comunicam). Outrora escutei os anjos, as sonatas, os poemas, as confissões patéticas. Nunca escutei voz de gente. Em verdade sou muito pobre. Outrora viajei países imaginários, fáceis de habitar, ilhas sem problemas, não obstante exaustivas e convocando ao suicídio. Meus amigos foram às ilhas. Ilhas perdem o homem. Entretanto alguns se salvaram e trouxeram a notícia de que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias, entre o fogo e o amor. Então, meu coração também pode crescer. Entre o amor e o fogo, entre a vida e o fogo, meu coração cresce dez metros e explode.
– Ó vida futura! Nós te criaremos.

— Carlos Drummond de Andrade.  (via estrelejar)


‘Libellen’ ( 1936) Erika Giovanna Klien
A vida vai continuar sendo como é. E eu vou continuar aprendendo a ser um pouco menos eu. Quero aprender a não sentir ódio do passado. Quero fazer as pazes com a minha história, com meus ex, quase e nunca amores. Quero ficar bem, e não sentir esse nó na garganta toda vez que lembrar de algum momento. Quero aceitar escolhas que fiz, e dessa vez completar decisões que tomei. Quero não arrepender ninguém, nem a mim mesmo. Quero viver a vida do jeito que ela é, pois sei que ela não pode mudar, mas eu posso. E isso já é o suficiente.
Alice, por que você não grita? Como você espera que alguém te encontre se você nem mostra onde está? Que olhos te alcançariam por entre esse negrume tão denso ou que ouvidos atentariam aos seus passos tão calados? Você não sente medo? Você não quer se salvar? O que diabos você faz aí afinal, onde quer que aí seja que ninguém encontra ou vê? Porque você não volta pra casa, Alice?

Quem ouve Alice, que não eu.  (via um-amor-em-paris)

Eu mudei de forma tão expressiva, em alguns aspectos, que tenho dificuldade para me imaginar dentro de determinados padrões emocionais que eu já vesti.

Ana Jácomo   (via fizdemimpoesia)

Nunca consegui ser uma pessoa sem vergonha alguma. Uma pessoa que mostra cem por cento de si, nunca consegui ser um livro aberto. Sempre tive medo, e quando eu disse que era um livro aberto, colei páginas que eu não queria que fossem lidas e relidas. Não queria que me martirizassem, pois me arrependo de boa parte do que fiz e do que deixei fazer. Uma vez disseram-me que não havia olhos vermelhos no canto de meu guarda-roupa, e nem pequenos monstros de mãos menores ainda embaixo da minha cama. E eu não gostei de saber que via coisas inexistentes, e guardei tudo o que passei a ver, pra mim. Se vejo amor em tudo, ninguém sabe, não dou a liberdade pra ninguém de dizer se o que vejo é certo, errado ou fantasioso. Se sinto saudade, não conto, e sim minto. Digo que já não sinto nada pra ninguém julgar mais nada que venha de mim. Passei a me fazer mais arrogante do que realmente sou, mais ignorante, passei a transparecer uma pessoa fechada em um mundo próprio. Poucos são os que sabem que eu crio pontes entre mundos. Viajo na penumbra sobre todos os mundos possíveis, e me resguardo no meu, novamente, para nenhum individuo desconfiar de minhas viagens proibidas por lei. Pela minha lei. Nunca consegui ser cem por cento para todos porque nunca aceitei um terço de mim.

Eduarda Cadaval (via casinoboulevard)

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